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037 | A demagogia de querer viver no céu com Jesus

Desde que fui consagrado ao pastorado, no meu primeiro dia já como pastor, sábado, 1º de setembro de 2001, meus olhos se abriram para um novo mundo: o da hipocrisia.

Do outro lado da mesa, agora, percebemos com mais clareza e conseguimos diferenciar o discurso da prática.

Não me refiro apenas a pastores que pregam algo que eles mesmos não vivem. Estou sendo mais abrangente. Meu gabinete pastoral me ensinou muito.

Irmãos e irmãs que, na teoria, falam de viver com Jesus no céu, que dizem ansiar pelo céu, que afirmam sonhar com a eternidade e declaram estar caminhando para a Nova Jerusalém, mas uma gripe mais forte é suficiente para levá-los a campanhas de cura e libertação. Apregoam jejum e recorrem a verdadeiras mandingas gospel, com o uso de “patuás espirituais”, porque, no fundo, não aceitam morrer. Querem e buscam a cura a qualquer preço.

Não estou afirmando que você deva se entregar à morte quando estiver doente. De modo algum. Estou dizendo que você deveria enfrentar essas situações adversas com a paz e a tranquilidade de quem sabe para onde vai, com quem vai e com quem vai se encontrar.

O problema é quando você não tem essas três respostas. Aí, sim, compreende-se a sua preocupação. Nem sabe pra onde vai…

No fundo, a fé verdadeira não se revela apenas no discurso inflamado ou nas declarações públicas, mas na forma como o coração reage diante da dor, da incerteza e da possibilidade do fim.

Talvez seja esse o ponto mais sensível da caminhada cristã: alinhar aquilo que se professa com aquilo que, de fato, se vive.

Já vi cristãos cantarem com muita força:

Céu, lindo céu | Céu, lindo céu | Eu vou pro céu | Com Cristo vou morar no lindo céu.

Ou a clássica:

Oh Pai, eu queria tanto, tanto ouvir | O som que vai abrir o encontro triunfal | Rever amigos que um dia em Cristo foram | Feitos meus irmãos | E agora sim podemos dar as mãos | Pois temos todos um | Somente um, um só Senhor

Pegou uma gripe, toda convicção acaba… Kkkkkk

E o que dizer de diagnósticos mais cruéis?

A vida acaba, desmorona, se desfaz…

Uma vez contei no Pare, Pense e Reflita. Fui chamado às pressas por uma família de uma de nossas igrejas, pois o marido estava morrendo de câncer no hospital INCA 3, em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro.

Daquele dia ele não passava, e por coincidência era um sábado. Me arrumei e fui lá “consolar”, com todas as aspas, aquele senhor que estava morrendo de câncer. Fui lá consolar?

Cheguei, entrei no quarto onde ele estava recebendo cuidados paliativos, comecei com uma oração e uma palavra. Percebi todos à minha volta chorando: esposa e filhos. De repente, ele me diz assim:

“Pastor, que bom que o senhor veio consolar minha esposa e filhas quando eu partir, mas não precisa me consolar. Pastor, daqui a pouco vou estar com Jesus, daqui a pouco estarei no céu, daqui a pouco não sentirei mais dor, não terei mais aflição e não derramarei nenhuma lágrima. Pastor, daqui a pouco estarei melhor do que vocês, de frente com Jesus…”

Falou com serenidade e com uma ponta de alegria que me chocou. Eu tive a certeza de que ele falava e sorria… Eu fiquei chocado, confesso.

Todos saímos do quarto para alguns procedimentos de limpeza. Quando estávamos no salão de entrada, aguardando o término da limpeza, recebemos a informação de que ele havia partido.

Vocês devem imaginar a reação da família.

Mais tarde, ainda no hospital, a família muito abalada pediu para eu fazer o reconhecimento do corpo. Quando cheguei ao IML e puxaram a gaveta mortuária, eu tive a certeza: ele estava sorrindo…

Léo Vilhena | Falando de Vida

Falando de Vida

NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia, concordância e pontuação.