076 | A burocracia não vencerá o meu Deus
Todos os amigos e leitores mais próximos já sabem que o meu maior drama começou na madrugada do último domingo.
Quando o SAMU veio me resgatar, fui levado para a UPA Norte. Agora, para você entender o que aconteceu em seguida, precisará prestar bastante atenção, porque a situação é realmente complexa.
Na UPA Norte fiz três raios X e o médico atestou: coxartrose na perna direita, com inflamação e desgaste na cabeça do fêmur, além de uma fratura na cabeça do fêmur.
Anote isso.
Fui inserido no programa de Regulação CROS, da Secretaria de Saúde de São Paulo, para que algum hospital de referência em ortopedia aceitasse a minha internação para uma cirurgia de urgência.
A UNIMAR, de Marília, interior de São Paulo, aceitou e disponibilizou a vaga às 12h15 da própria segunda-feira.
A ambulância de transporte foi me buscar apenas às 21h. Foram nove horas de sofrimento apenas aguardando. A dor estava, e ainda está, consumindo as minhas forças.
A medicação mais forte alivia, mas não impede a dor.
Na mesma madrugada, de segunda para terça-feira, já na UNIMAR, passei horas fazendo novos exames, incluindo mais quatro raios X.
Novamente foi confirmada a fratura na cabeça do fêmur.
A partir das 8h da manhã de terça-feira começaram todos os exames pré operatórios. Todos. Fiquei em jejum total.
Vale pontuar que, tanto na UPA Norte quanto na UNIMAR, apesar de todo o suporte, atenção e respeito, fui atendido por residentes e alunos, médicos em formação da própria universidade.
Guarde essa informação.
Às 16h de terça-feira, um outro médico, já formado e professor desses residentes, foi me reavaliar e pediu novos exames.
Recomecei toda a bateria de exames e fui submetido até mesmo a uma tomografia computadorizada de altíssima resolução.
Resultado às 21h de terça-feira: não havia fratura no fêmur. O que existe é uma coxartrose avançada, que causa a mesma dor de uma fratura. Como a extensão da lesão é muito grande, nos raios X ela aparentava ser uma fratura, mas na verdade trata-se de desgaste severo da cartilagem, que, repito, provoca a mesma dor intensa.
Recebi um medicamento para dormir e, na quarta-feira às 10h, dois médicos vieram conversar comigo. Explicaram detalhadamente o meu caso e disseram que, como a inclusão no CROS havia sido feita apenas como fratura no fêmur, eu precisaria receber alta e procurar um ambulatório para novos exames e uma nova inclusão no sistema, desta vez com o diagnóstico correto de coxartrose.
Eles se comprometeram a realizar a cirurgia e colocar uma prótese. Tenho inclusive essa carta da UNIMAR. Porém, isso só poderá acontecer depois que eu estiver inserido no CROS com a descrição correta da cirurgia de coxartrose com implante de prótese total.
Eu não disse nada. Fiquei calado, em choque. Mas confesso que comecei a chorar, porque moro sozinho, estou com muita dor e não consigo colocar o pé direito no chão. Todo o peso do corpo está sobrecarregando o lado esquerdo.
Como farei comida? Como irei ao banheiro? Como conseguirei realizar qualquer tarefa simples do dia a dia? Como vou tomar café, almoçar e jantar hoje e nesses próximos dias? 😭
Passei duas horas em prantos. Ninguém imagina a dor física que estou sentindo.
Mandaram comprar um andador reforçado, por causa dos meus 142 quilos, para aliviar a coxartrose até a cirurgia. Também precisarei desse mesmo andador no período pós operatório.
Uma equipe multidisciplinar foi me atender às 15h da quarta-feira. Eram duas assistentes sociais, uma enfermeira social e uma psicóloga. Pediram para que eu expusesse a minha vida e fizeram inúmeras perguntas.
Uma delas é a chefe dessa equipe.
Após duas horas de reunião, ela decidiu suspender temporariamente a minha alta para tentar agir diante da situação.
Ela retornou às 19h com as seguintes decisões:
Fui encaminhado para o próprio ambulatório da UNIMAR, onde farei uma nova reavaliação e uma consulta na próxima quarta-feira, para inserir meu nome no CROS com a descrição correta da cirurgia. Entrarei na fila de espera. O CROS é regulado pelo SUS que vai arcar com a cirurgia: R$ 50.000,00
Fui medicado e liberado. Dona Eliana, uma mulher de oração e caráter, foi me acompanhar e veio comigo até minha casa…
Cheguei em casa às 21h30 e simplesmente apaguei.
Estou com muita dor, não estou conseguindo andar e terei que suportar tudo isso até a próxima quarta-feira, quando uma ambulância da UNIMAR virá me buscar novamente.
É um sofrimento que ninguém imagina e que eu não desejo nem para os meus maiores críticos.
Essa é a síntese de toda a verdade, e Cristo é a minha testemunha.
Cheguei ao meu limite, mas continuo acreditando que Deus ainda está no controle de tudo e que essa batalha também será vencida.
Léo Vilhena| Falando de Vida