Mensagem do DiaPr. Léo Vilhena

061 | Nenhum dia é separado para adulterar

Eu cresci ouvindo rádio. Desde os meus 5 anos, lá em casa, tínhamos o hábito de ouvir rádio. Era o nosso “Jornal Nacional” e a maior fonte de informação. Na verdade, é um hábito que cultivo até hoje, passados 50 anos. O rádio ficava ligado das 6h às 0h, de segunda a sexta-feira, literalmente.

No começo era a Super Rádio Globo AM. Depois que ela faliu, os apresentadores, radialistas, jornalistas e repórteres migraram em peso para a Super Rádio Tupi e, por osmose, também mudei.

Nesses 50 anos, o apresentador Antônio Carlos, aos 88 anos de idade, continua na ativa. Sua voz me remete ao passado, às raízes da minha infância.

Cresci ouvindo Antônio Carlos (Foto de capa, anos 90).

Como a Escritura orienta a reter o que é bom e descartar o que é lixo, desde muito pequeno nunca concordei com uma frase repetida como um bordão às sextas-feiras. Ele abre o programa com a frase: “Hoje é sexta-feira, dia de curimba, para quem gosta de curimba, e dia de pular a cerca, dia da chinelada, porque hoje é o Dia Nacional do Adultério”.

Em duas horas de programa, essa é a única parte com a qual não concordo. Aliás, desde a minha primeira infância nunca concordei. E nem falo a respeito da macumba. Segue e frequenta quem quer. Falo de um desvio de caráter, da chinelada, da pulada de cerca e do adultério. Nunca concordei.

Dia nenhum é dia para adulterar. Essa prática é covarde, repugnante e demonstra a falta de caráter de uma pessoa que se comprometeu a viver, amar e respeitar a outra até que a morte os separe. Se a sua palavra não vale nada, então o problema não está no casamento, mas no caráter de quem prometeu e não foi capaz de cumprir.

O Antônio Carlos promove muita informação, muita cultura, análises esportivas, análises culturais e análises políticas. E, por ser um canal de informação muito reativo e rápido, diria dinâmico, foi pela Rádio Globo que ouvi as primeiras informações sobre o ataque terrorista ao World Trade Center.

Corri para ligar a televisão e nenhum canal estava transmitindo. Naquela época, celular quase não existia. Apenas depois de 5 ou 10 minutos a TV Globo entrou em plantão com as primeiras imagens.

O rádio é mais reativo do que a televisão.

Hoje, 50 anos depois, nem sei se ainda existem aparelhos de rádio que consigam, aqui em São Paulo, sintonizar rádios do Rio de Janeiro. Eu acesso todas as rádios do Brasil através da Alexa e, no meu aplicativo, a Rádio Tupi já está programada.

Como jornalista, sou um apaixonado pela informação. Assisto a todos os grandes jogos, em várias modalidades esportivas. Porém, muitos jogos acompanho pela TV com a imagem e a narração pelo rádio, através da Alexa, ou simplesmente desligo a TV e escuto pelo rádio.

Saudosismo?

Mesmo passadas cinco décadas, continuo não concordando com a relativização e a banalização da chinelada. Isso é errado em todas as suas intenções.

Léo Vilhena| Falando de Vida

Falando de Vida

NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia, concordância e pontuação.