008 | Demonizamos tudo o que não gostamos ou com o que não concordamos
Temos um costume feio, inconveniente e muitas vezes irresponsável de demonizar tudo aquilo de que não gostamos ou com o que não concordamos. Demonizamos tudo o que não gostamos ou com o que não concordamos.
Demonizamos tudo o que não gostamos ou com o que não concordamos, sem avaliar com equilíbrio, discernimento e responsabilidade aquilo que realmente merece reprovação
Não gostamos de tatuagem e logo dizemos que é pecado.
Não gostamos de ver um homem de brinco e afirmamos que é pecado.
Não aceitamos ver alguém comendo bife com batatas fritas na quaresma e rapidamente classificamos como pecado.
Poderia citar milhares de exemplos dessa tendência de rotular como pecado aquilo que, na verdade, não foi tratado dessa forma por Jesus Cristo.
Esse comportamento revela mais sobre o nosso coração do que sobre a vontade de Deus. Muitas vezes, confundimos tradição com doutrina, opinião pessoal com verdade bíblica e preferência cultural com santidade. Ao fazer isso, corremos o risco de afastar pessoas, criar pesos desnecessários e distorcer a mensagem do Evangelho, que é, acima de tudo, uma mensagem de graça, transformação e verdade.
É preciso maturidade espiritual para discernir entre o que realmente é pecado, à luz das Escrituras, e o que é apenas desconforto pessoal. Nem tudo o que nos incomoda é errado, e nem tudo o que é diferente da nossa vivência está fora da vontade de Deus. O próprio Cristo confrontou esse tipo de religiosidade endurecida, que se preocupava mais com regras externas do que com a condição do coração.
Talvez esteja na hora de revermos nossas posturas, buscarmos mais conhecimento bíblico e, principalmente, exercermos mais amor e responsabilidade ao falar em nome de Deus. Afinal, rotular de pecado aquilo que Deus não condenou é um risco sério, tanto espiritual quanto moral, e pode nos colocar na posição de julgar sem autoridade aquilo que cabe somente ao Senhor.
Léo Vilhena