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098 | Perdi um ônibus, mas não perdi a vida

No início dos anos 2000, minha agenda era lotada. Entre 1998 e 2002, ela já estava fechada no ano anterior. Em 1998, fechava em 1997, e assim por diante.

Mas isso não significava que eu pregava todos os domingos em uma igreja diferente. Não era assim. Por determinação do meu pastor presidente, eu só poderia me ausentar da igreja no segundo e no quarto domingos de cada mês, ou seja, apenas duas saídas. No meio da semana? Nem pensar.

Por que era assim? Nos primeiros domingos, tínhamos a Santa Ceia, e nos terceiros domingos, o culto da juventude.

E, em uma dessas viagens missionárias, aconteceu algo extraordinário. Fui pregar na Igreja Evangélica Congregacional em Maricá, no interior do Rio de Janeiro, exatamente onde aceitei Jesus dez anos antes.

Dormi na casa de um casal da igreja e, às seis da manhã, eu já estava no ponto de ônibus (foto no final desse artigo) de Maricá para voltar ao Rio, pois precisava estar no trabalho às nove horas daquela manhã. A viagem durava cerca de uma hora e meia.

Cheguei à parada e vi o ônibus indo embora. Confesso que, na hora, fiquei revoltado, porque percebi que o ônibus estava quase vazio e o motorista me viu pelo retrovisor. Ele não esperou porque não quis.

Serei ainda mais direto e reto: a primeira vontade foi xingar aquele motorista. Não vou negar que esse foi o meu primeiro impulso. Vergonhoso? Talvez. Mas essa é a realidade.

Então, uma palavra veio ao meu coração: “Abençoe e não amaldiçoe.”

E foi exatamente o que fiz:

“Vá em paz, em nome de Jesus.”

Meia hora depois, outro ônibus parou e pude embarcar. Já estava um pouco mais cheio, mas consegui ir sentado.

Assim que saímos da zona urbana de Maricá e entramos na Rodovia Amaral Peixoto, RJ 106, o trânsito estava bastante pesado e parado. Andava três metros e parava novamente. Julguei ser algo natural por causa do horário.

Como sempre estou com um livro nas mãos ou na mochila, tudo e, em todo tempo, era motivo para ler. E é assim até hoje. Nunca me verá sem um livro, tablet ou Kindle. Meu dispositivo da Amazon atualmente tem 120 livros à espera de serem devorados.

Próximo a Alcântara, veio a resposta para aquele pesado engarrafamento: um ônibus estava tombado no acostamento da rodovia. Havia feridos e mortos.

Estarrecido, vi que era o mesmo ônibus que havia me deixado na rodoviária.

Chorei.

Pensei imediatamente no Brenno. Meu filho tinha apenas três anos.

Naquele momento, compreendi que aquilo que eu havia recebido como uma contrariedade, poucos minutos antes, poderia ter sido, na verdade, um livramento.

O Senhor nos livra de perigos que nem sequer imaginamos. Muitas vezes reclamamos porque uma porta se fecha, sem perceber que Deus pode estar nos protegendo de algo que nossos olhos jamais conseguiriam enxergar.

Naquela manhã, eu não perdi um ônibus. Deus me livrou de uma tragédia.

Léo Vilhena


Falando de Vida

NOTA | Para ficar bem claro: utilizo a Inteligência Artificial em todos os meus textos apenas para corrigir eventuais erros de gramática, ortografia, concordância e pontuação.