082 | Dois anos de um ‘Até Breve’
Quem poderia imaginar? Dois anos se passaram desde aquela noite qualquer… Hoje, segunda-feira, 31 de Agosto…
Na realidade, e com profundo respeito, parece que foi ontem. Todos os acontecimentos estão pulando em minha memória, com um frescor surpreendente.
As risadas do último jantar, uma espécie de “festa”, como se fosse uma despedida silenciosa. Naquela noite especial, 31 de agosto de 2024, deixei que ela comesse o que queria, mesmo sendo diabética: bife de alcatra, arroz, vinagrete, batatas fritas, Coca Cola e pudim de sobremesa. Depois do jantar, veio o pedido para assistir a um filme que ela amava, ‘Inimigo Íntimo’, com Harrison Ford e Brad Pitt. Depois, o pedido carinhoso para que eu a colocasse para dormir. Ajeitei sua cama, coloquei suas meias, coloquei o famoso travesseiro entre suas pernas e…
…chegou o fim…
Agora é que me dei conta: dois anos sem Dona Luci, sem mainha… Dois anos desde aquela última noite, desde aquele último jantar, aquele último filme, aqueles últimos cuidados que, naquele momento, pareciam apenas mais uma noite comum, uma noite qualquer..
Nasceu, viveu, lutou, cuidou, me amou, e morreu…
A vida continuou, os dias passaram, mas determinadas lembranças simplesmente se recusam a envelhecer. Elas permanecem vivas dentro da gente, como se o tempo tivesse parado exatamente naquele instante.
Escrevi mais de 50 canções durante a minha vida, quando sequer existia Inteligência Artificial, mas, com certeza, esta é a letra mais perfeita e poética que já escrevi. Talvez porque não tenha sido escrita por mim, mas pela própria vida. Uma letra sem rimas planejadas, sem acordes definidos e sem necessidade de inspiração. Foi escrita com amor, cuidado, silêncio, lágrimas e despedida. E, justamente por isso, tornou se a mais verdadeira de todas.
Obrigado, rapaziada da Banda Vida Abundante…
Mamãe… Até breve…
Mainha continua presente em mim, na minha memória, na minha história e, sobretudo, no amor que nem mesmo a passagem dos anos conseguiu apagar.
Hoje, a saudade dói, mas também carrega gratidão. Gratidão por ter tido uma mãe, por ter cuidado dela naquela última noite e por ter recebido dela tanto amor durante a vida.
Até breve…
Léo Vilhena, seu filho único…
Até breve (Letra e Música – Léo Vilhena)



