094 | Giovani de Pompéia
Quem me acompanha e segue meus livros e textos desde 1990 sabe muito bem que não sou de escrever textos como este.
O Pr. Rogério Barcelos e o Presbítero Anísio Júnior, com 40 e 30 anos de caminhada, respectivamente, sabem como poucos que não costumo escrever textos assim. Mas é imperioso escrever, pelo impacto existencial, emocional e espiritual que um rapaz chamado Giovani me causou.
Quando estive no último domingo na Igreja Elohim, em Pompéia, a cerca de 100 quilômetros de distância, ida e volta, o Eduardo, pastor daquela comunidade, pediu para que Giovani (foto de capa) fosse me buscar, porque todos sabem da minha condição de saúde, após o acidente de janeiro, enquanto aguardo uma cirurgia.
Primeiro impacto: esse rapaz, e o chamo assim porque tem idade para ser meu filho, afinal, Brenno é mais velho do que ele, nem sequer mora em Pompéia. Ele mora em um distrito próximo e, mesmo assim, generosamente veio me buscar. Acima de Pompéia.
Desde o primeiro momento, percebi o tom carinhoso, educado, cordial, respeitoso, sereno, fala mansa e cristão em todas as suas interações e em cada frase. Um rapaz muito correto, que trabalha, faz faculdade, serve na casa de Deus e ainda cuida da mãe.
Ao lado do Paulo, ajudou-me generosamente a entrar e sair do carro e, durante a viagem, demonstrava preocupação constante com o meu bem estar. Houve um momento em que o carro sacudiu por causa das falhas no asfalto, e a dor foi excruciante. Ele imediatamente pediu desculpas, como se ele fosse o culpado.
Esse é o nível desse rapaz.
Ministrei sentado, porque não aguento ficar em pé. E o olhar de Giovani, compenetrado, fixo, como quem absorvia cada palavra que eu dizia, chamou minha atenção. O rapaz quase não piscava.
Voltamos, e a postura dele permaneceu incólume.
Em tempos de congelamento das relações humanas, ainda existem pessoas que transmitem o amor de Cristo até pelo respirar. E digo mais: Giovani é um diácono em essência e um pastor por excelência.
Aos 20 anos de idade.
Talvez ele nem tenha dimensão do impacto que causou em mim naquele domingo. Mas existem atitudes que não precisam de grandes discursos. Um gesto de cuidado, uma palavra respeitosa, uma preocupação sincera e uma disposição genuína para servir podem revelar muito mais sobre alguém do que horas de conversa.
Naquele domingo (6), Giovani não apenas me levou e me trouxe. Ele me mostrou que, apesar de tudo o que vemos diariamente, ainda existem jovens que compreenderam que servir a Deus também significa cuidar de pessoas.
Repito, aos 20 anos de idade.
Léo Vilhena