097 | Projeto Cristalina e a casinha de barro onde o céu tocou a terra
Quando o Rebanhão gravou e lançou a música “Palácios”, que sacudiu o Brasil, uma frase ficou eternizada em minha alma, porque me fez lembrar da irmã Maria. Deixa te contar essa história real.
Durante quase duas décadas, fiz parte do Projeto Missionário Mensagem, de 1990 a 2009, que mudou de nome após a morte de seu líder, Josias Amândula. Como Projeto Jesus Vive, sob a liderança do Pr. Carlinhos, foram cinco anos. E, como Projeto Resgatar (Resgatando a Mensagem), sob a minha liderança, mais cinco anos. Foram muitas viagens, muitas histórias e muitas conversões. Foram mais de 100 viagens missionárias. Sob a minha liderança fomos para Maricá, Inoã, Bolívia, Cuiabá, Puerto Quijarro, Puerto Aguirre…
A base desses projetos era simples: 20 jovens, 10 homens e 10 mulheres, viajavam durante as férias para alguma cidade do interior do Brasil. Ficávamos hospedados em alguma igreja que nos convidava e passávamos o dia evangelizando pelas ruas daquela cidade, visitando enfermos em suas casas ou hospitais, cadeias e presídios.
Não usávamos Bíblias, para não espantar as pessoas. No máximo, levávamos folhetos. Apresentávamos peças teatrais, os chamados esquetes, e pregávamos sobre Cristo. Nesse ínterim, chegamos a tocar até em boates, à meia-noite, e houve muitas conversões. Pregamos e tocamos em muitas cadeias.
Entre os projetistas, como éramos chamados, sempre havia de quatro a cinco músicos. E sempre usávamos a indescritível blusa verde oliva, com o nome escrito em letras brancas: Projeto Mensagem ou Projeto Jesus Vive ou Projeto Resgatar.
Foi assim durante quase duas décadas. Detalhe: quem pagava as passagens era cada projetista. Quando um não tinha o dinheiro, fazíamos entre nós uma vaquinha, vendíamos doces, salgados, roupas, blusas, Lps nos intervalos da famosa Vigília da Congregacional em Bento Ribeiro. Não me recordo de alguém ter ficado para trás… As viagens missionárias tinham duração de 7 a 10 dias, fora as viagens.
E, certa vez, fizemos o projeto em Cristalina, Goiás. Ficamos hospedados na Igreja Evangélica Congregacional de Cristalina, do saudoso e amado Pr. Roberval de Andrade, ex-projetista, que morreu recentemente, assassinado durante um assalto em Cristalina.
No primeiro projeto, estivemos lá por três vezes, tiramos uma tarde para irmos orar na casa da irmã Maria. Mulher de oração. Uma casa simples, de barro, sem luz elétrica. A iluminação vinha de um lampião. Éramos 20 jovens naquela pequena casa, além de Dona Maria e do Pr. Roberval de Andrade.
Foi uma tarde inesquecível.
Orações intensas e sinceras, confissões de pecados, transgressões deixadas para trás e muita comunhão com o Senhor. Teve até conversões…
Até hoje, acredito que senti a terra tremer, o céu se abrir e os anjos de Deus descendo e subindo naquele lugar.
E o que o Rebanhão tinha a ver com aquele cenário?
A resposta estava em uma frase daquela música que, tantos anos depois, continua viva em minha memória:
“A sabedoria mora com gente humilde. Liberdade, liberdade, liberdade.”
Léo Vilhena